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Postado por em 22 julho, 2015 em Artigos Yoga | 0 Comentários

Somos mais que o Corpo Físico

Somos mais que o Corpo Físico

Sobre a concepção de homem, mundo e sociedade, o YOGA traz consigo muitos conceitos e princípios. Estes valores são realmente muito diferentes dos valores ocidentais, pois revelam uma esperança existencial, ao contrário do medo da morte predominante no ocidente (GOVINDA DASI, 2001, p. 17).

Segundo MIRANDA (1969), cada plano da matéria universal possui um nível, uma predominância de vibração da matéria universal, de átomos e elementos. A energia cósmica penetra o espaço para formar o universo ao início das Eras (YUGAS), no entanto, esta energia é constituída de sete raios, o que desencadeiam sete planos da matéria universal. Cada espécie de raio origina uma espécie de átomo que produz características específicas. Cada um dos sete tipos de átomos desenvolve uma trajetória de rotação dos prótons que corresponde à uma vibração diferente. Cada plano é constituído por uma prioridade de tipo de átomo. Os átomos físicos, por exemplo, nos dão a impressão da forma e do movimento, dão a percepção da luminosidade, das cores, volume, peso, etc. Os átomos astrais nos possibilitam as sensações de sentimento e emoção.

Os planos coexistem simultaneamente, pois no espaço entre os prótons, neutros e elétrons do átomo físico, há espaço para acomodar a estrutura dos outros planos. Pensar que existe apenas o plano físico e um corpo físico é uma visão muito limitada. O ser humano tem infinitas possibilidades de manifestação de sua consciência em outros planos além do plano físico. Os sete planos são:

– Plano Maha-para-nirvanico

– Plano para-nirvanico

– Plano nirvanico

– Plano bhuddico

– Plano MENTAL

– Plano ASTRAL (Aqui acontecem as projeções astrais ou desdobramentos da viagem astral)

– Plano FÍSICO.

E para interagir com diferentes planos, o ser humano precisa de diferentes estruturas. A TAITTIRIYA UPANISHAD demonstra na parte II, capítulos 1, 2, 3, 4 e 5 (TINOCO, 1996) os cinco corpos que constituem o Ser Humano:

– O corpo físico (ANNAMÄYÄKOSHA), constituído de alimento.

– O corpo energético possui a forma humana (PRÄNOAMÄYÄ-KOSHA), constituído de alento vital.

O alento vital ou energia vital se divide em categorias: PRÄNA é o alento ascendente que aloja-se no coração, habita o olho, o ouvido, a boca e o nariz. O sol o contém. O descendente, controla a terra, fica alojado no ânus, é o APÄNA, que governa os órgão de excreção e os reprodutores. VYÄNA é o alento difuso pois mora em todo corpo, circula todos os canais energéticos, controla o ar. SAMÄNA o suporte que reside no umbigo e comanda a digestão e assimilação dos alimentos, controla o espaço vazio e o éter. O fogo contém UDÄNA, que circula na garganta e conduz o homem a um nascimento mais elevado. NÄGA-VÄYU faz sair gás pela boca, KÜRMA move as pálpebras, KRÉKARA faz espirrar e tossir, DEVADATTA produz o bocejo, DHANANJAYA impregna todo corpo físico. “O pensamento do homem no momento de sua morte é quem o unirá ao PRÄNA. PRASNA UPANIÑAD, 3 – 10 (TINOCO, 1996).

– O corpo mental chama-se MANOMÄYÄ-KOSHA e também possui a forma humana.

– O quarto corpo é o intelecto, VIJÏAMÄYÄ-KOSHA, também possui a forma humana, podendo realizar todas as ações, manifestar a fé, os atos corretos, a verdade, a concentração.

– O último é o corpo da bem-aventurança (ÄNANDAMÄYÄ-KOSHA), que expressa a alegria, o grande deleite, e a expressão do divino no ser humano.

Outros autores consideram que o ser humano tem 7 corpos, um corpo para atuar em cada um dos 7 planos.

A Energia vital no corpo é processada e destribuida pelos centros de energia, os CHAKRAS.

Os CHAKRAS são localizados a nível etérico de energia, relacionando-se com plexos nervosos e sistema de glândulas endócrinas. Conectando-se assim, com o tecido Cromoafim, tecido neuroendócrino. Desta maneira, a energia do cosmos pode ser captada e distribuída no corpo através do CHAKRAS, que podem ser percebidos pelo praticante DE YOGA mediante prática intensa de técnicas respiratórias e meditação que desenvolvem a percepção sutil. Cada centro de energia trabalha características psíqucas. As principais fontes de PRÄNA são o ar, o alimento e a natureza: florestas, cachoeiras, mar, etc.

Os CAKRAS relacionam-se com as principais glândulas endócrinas, com os planos da matéria, com os sentidos físicos, com as vibrações de cor e som .

O MÜLÄDHÄRA governa o físico até o subconsciente, centro da consciência física, do subconsciente e centro sexual. Situado na base da espinha dorsal, no plexo sacrococcigiano (períneo). Esse centro energético relaciona-se com o córtex das supra-renais. Atua no plano físico, cor vermelha, o elemento terra, com o sentido do olfato.

O SVÄDHISTHÄNA governa o vital mais baixo, dirige a avidez, luxúria, as funções de desintoxicação do organismo e sensualidade. Localiza-se a baixo do umbigo. Tem relação com as gônadas, as glândulas reprodutivas. Atua no plano físico com a cor laranja, o elemento água, com o sentido do paladar.

O centro do umbigo, MANIPÜRA, governa o vital mais alto e as forças vitais mais complexas, paixões, movimentos de desejo. Sede principal da consciência vital dinâmica. Tem ligação com o pâncreas. Atua no plano emocional, com a cor amarela, com o elemento fogo, e com o sentido da visão. À direita e à esquerda do MANIPÜRA estão dois pequenos centros energéticos: SÜRYA MANDALA, centro de energia solar ativadora do metabolismo e CHANDRA MANDALA centro de energia lunar que deixa o organismo mais lento. A energia dessas duas MANDALAS pode ser usada para influir sobre o sistema nervoso autônomo. (RODRIGUES, p. 61, 2003)

O centro do coração, ANÄHATA, governa o centro emocional, é o mediador entre os centros inferiores e os superiores, entre o concreto e o abstrato. Atrás dele, há o psíquico ou alma. Liga-se com o timo. Atua no plano emocional com a cor verde, o sentido do tato, e o elemento ar.

O centro da garganta, VISHUDDHA, governa a mente quando se expressa e externaliza. Relaciona-se com as tireóides, paratireóides e hipotálamo. Atua no plano mental, com a cor azul claro, o elemento éter, o sentido da audição.

O centro entre a sombrancelhas, o terceiro olho: ÄJÑÄ, governa a mente, vontade, visão oculta e a formação mental dinâmica. Faz paralelo com a hipófise. Atua no plano mental, a cor é azul índico, o sentido é a intuição.

O SAHASRÄRA acima da cabeça, dirige a mente espiritual iluminada, abre a intuição. É o centro da consciência mais alta. Local de atuação da Sobremente: consciência entre a mente pensante e a Supramente (o dinamismo mais alto da existência espiritual). Liga-se com a glândula pineal. Atua no plano espiritual, sua cor é o violeta.

Assim, o YOGA reconhece a interdependência do corpo e da alma, sendo que o equilíbrio psicofisiológico pode cessar a escravização da alma humana ao sofrimento. Os aspectos emocionais da mente que mais afetam o corpo, em especial são o sistema nervoso e o endócrino. “Os yogues estão seguros de que assim liberada do domínio do corpo e da mente, a alma realizará sua inesgotável existência de felicidade infinita.” (KUVALAYANADA, s/ data, p. 43).

chakras

chakras

Os elementos da natureza circulam também dentro dos corpos humanos, e são chamados de DOSHAS, segundo os conhecimentos da medicina YAJUR-VEDA . Os elementos, interagem com os cinco órgãos de cognição: som, toque, visão, sabor e cheiro, articulam-se respectivamente ao éter, ar, fogo, água e terra.

OS DOSHAS:

1)        VÄTA: (ÉTER + AR)

  • SECO, LEVE, FRIO, ÁSPERO, MÓVEL, CLARO, SUTIL.
  • ADSTRINGENTE, AMARGO, PICANTE.

2)        PÍTA: (FOGO + ÁGUA)

  • QUENTE, AGUDO, LEVE, OLEOSO, LÍQUIDO, EXPANSIVO, ODOR FÉTIDO.
  • ÁCIDO, SALGADO, PICANTE.

3)        KAPHA: (TERRA + ÁGUA)

  • PESADO, LENTO, FRIO, OLEOSO, DENSO, MACIO, ESTÁTICO.· DOCE, SALGADO.

 

O sistema SÄMKHYA discrimina os 24 elementos que viabilizam a manifestação da matéria expressa na natureza (PRAKRTI), quando esta interage com PURUÑA (Espírito Universal). Natureza e Espírito Universal: duas estruturas eternas e independentes.

 

  1. PURUSHA: Espírito Universal, consciência pura, que não age, observa. É único e indivisível.
  2. PRAKRTI: Matéria manifestada, âmago transcendente da matéria universal, princípio dinâmico que produz todas as coisas com 3 GUËAS: SATTVA (equilíbrio), RÄJAS (atividade) e TAMAS (inércia). O seu poder dinâmico, que faz agir, é ÇAKTI não personificado.
  3. MAHÄT: é o primeiro grande princípio produzido por PRAKRTI : é a realidade dinâmica que preenche, e é a potencialidade de tudo.
  4. BUDDHI: é como MAHÄT, mas é individual, mente superior, o veículo pelo qual pode-se entrar em contato com MAHÄT.
  5. AHANKÄRA: são as individualidades, princípio de individuação, produzidas por MAHÄT.
  6. TANMÄTRA: existe antes da matéria, são os elementos sutis, ativos, é a potencialidade, princípio de poder da matéria e dos sentidos: som, toque, cor (formas), sabor, odor.
  7. MANAS: mente inferior, faculdade de pensamentos e emoções, comanda os órgãos de conhecimento e de ação, que não são matéria, pois existem antes do corpo e da matéria.
  8. JÑÄNA-INDRIYA – órgãos de conhecimento: audição, tato, visão, paladar, olfato.
  9. KARMA-INDRIYA – órgãos de ação: falar, segurar com as mãos, andar, excretar e reproduzir-se.
  10. MAHÄBHÜTA: elementos materiais: éter, ar, fogo, água e terra.

 

Essa cosmogênese é uma forma de auxiliar as pessoas que buscam a transcendência e deparam-se com os questionamentos e o anseio de entender as categorias da matéria e da existência.

Trecho do Livro Yoga, de autoria de Naiana Bregolato Bossle.

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